Sobre Dr. João Tyll

Sou Hematologista e Hemoterapeuta, formado pela Faculdade de Medicina de Petrópolis em dezembro de 1983. Mas a hemoterapia entrou em mim antes do diploma. Meu pai, Prof. Dr. Carlos Tyll Filho, fundou em 1951 o Banco de Sangue da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, e me ensinou esta lição desde tenra idade. Cresci entre frascos, lâminas e conversas clínicas, ouvindo como o sangue carrega a história inteira da Pessoa. A hematologia foi, para mim, sempre mais que especialidade — foi a língua que aprendi no berço.

Minha mãe, Leda Tyll, foi a luz da inteligência e da sabedoria. Quando ainda muito jovem, perguntei-lhe como se alcança a sabedoria. Ela me disse: “Leia o que dizem os grandes sábios da humanidade, procure compreender o que pensam e como pensam, para que você possa também, com eles e como eles, aprender a pensar e a sentir a vida — maravilhosa como ela é.” Segui o seu conselho a vida inteira.

 

Obtive o título de Especialista em Hematologia e Hemoterapia em 1987, pela Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular — título do qual continuo sendo portador. Em fevereiro de 1988, com o falecimento de meu pai, assumi a chefia do Serviço de Hematologia e Hemoterapia da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, que exerci por 35 anos; hoje sou seu Chefe Emérito. Sob a continuidade desse Serviço, chegamos a atender mais de cem hospitais e realizamos, ao longo de sete décadas, cerca de quatro milhões de transfusões. A hemoterapia é a medicina do último recurso: vem quando a doença avança e nada mais sustém.

 

Dirigi também o Hospital Geriátrico do Socorro e o Hospital Geral da Santa Casa, além do histórico Educandário Romão de Mattos Duarte. Frequento a Academia Nacional de Medicina há mais de catorze anos, onde a longa convivência com honoráveis mestres das mais diversas especialidades amadureceu meu olhar para a dimensão mais ampla da medicina — esta medicina que muda e evolui sempre, e que exige de quem cuida de pessoas acompanhar o ritmo, sem jamais abandonar a sua formação original.

 

Há uma linhagem clínica que me formou. Com o Mestre Rafael Salek Filho aprofundei a essência da Clínica Médica; com o Prof. Mario Giorgio Marrano, um dos grandes semiologistas de sua época, conhecido como o artesão do diagnóstico, vislumbrei a arte quase mágica da Semiologia; e com o Prof. Hildebrando Monteiro Marinho, um dos fundadores da hematologia clínica brasileira, dei os primeiros passos na Hematologia. Da leitura de Danilo Perestrello — autor de Medicina da Pessoa (1974) — e do Prof. Hélio Pereira de Souza Luz — autor de O Médico, essa Droga Desconhecida — aprendi que o médico é, ele mesmo, instrumento terapêutico. Das sessões clínicas do Prof. Abram Eksterman, renomado psicanalista e poeta, um dos fundadores da Medicina Psicossomática no Brasil, aprendi a escutar a Pessoa por inteiro. E com o sábio Mestre Isaac Vaisman, criador da Nutrologia na medicina brasileira, aprendi os princípios da Nutrição. Convivi ainda com o cohorte de mestres, todos Membros da Academia Nacional de Medicina, que dignificaram a Santa Casa em sua geração: Clementino Fraga Filho, Mariano de Andrade, Magalhães Gomes, Thomaz de Figueiredo Mendes, Lopes Pontes, Nicola Caminha, Jorge Resende, Ivo Pitanguy e José Galvão Alves.

Esta linhagem me ensinou a perceber, de forma cada vez mais evidente, que o sintoma é dito pela Pessoa inteira, não apenas pelo órgão; que a escuta precede o diagnóstico; e que o vínculo entre médico e paciente é parte fundamental do tratamento, não apenas o seu cenário.

 

Como autor convidado, escrevi os capítulos de Hemoterapia em duas obras de referência: Emergências Clínicas, de José Galvão-Alves, e Clínica e Terapêutica Cirúrgicas, de José Carlos Vinháes. Seguindo o conselho de minha mãe, dediquei-me também, desde jovem, ao estudo dos grandes sábios — do Bhagavad-Gītā aos sufis, da tradição hermética à física quântica —, buscando onde a ciência e a sabedoria antiga se encontram. Foi desse estudo que nasceram, para mim, os fundamentos da Medicina da Pessoa: a visão dos 7 Corpos e a certeza de que a Pessoa é sempre mais do que o seu corpo físico.

Concluí ainda a pós-graduação em Terapia Floral no IBEHE, em 1996, com Breno Marques da Silva, criador dos Florais de Minas. E fui o médico voluntário do Projeto Raízes da Luz, de Ary Moraes, em Poço do Peixe, comunidade rural de Teresópolis, onde toda terça-feira atendíamos famílias sem qualquer acesso à saúde.

 

Naquele ambulatório não havia exame complementar, remédio de farmácia, suplemento — nada. Apenas plantas medicinais, florais e a conversa e as orientações para o paciente. Era, sem que eu ainda tivesse este nome, Medicina da Pessoa em sua forma mais pura e mais despida.

Mostrei, na época, o sucesso dos resultados ao então Ministro da Saúde, Adib Jatene, e solicitei que promovesse maior atenção e o registro de nossas plantas medicinais, que já vinham sendo exploradas por grandes laboratórios mundiais.

 

Comecei a escalar montanhas aos dez anos. Entre 1985 e 1986, a bordo do veleiro Rapa Nui, de 47 pés, fiz uma travessia de seis meses do Rio de Janeiro à Antártida — sem GPS, três pessoas a bordo, através dos ventos mais violentos do planeta. Travessias assim ensinam o que nenhum livro ensina: que o corpo, a mente e o vínculo entre os que viajam juntos são uma coisa só, e que o sucesso depende de conhecimento, trabalho, unidade e clareza de propósitos. Levei essa lição para o universo do consultório.

 

Em 1997, como Diretor do Hospital do Socorro, encontrei cerca de cento e oitenta idosos em longa permanência, a maioria deixada ali pelas famílias para nunca mais voltar. No primeiro dia, percorri a enfermaria leito a leito, apresentei-me a cada um pelo nome e ouvi o nome e o início da história de cada um. Repeti o gesto todos os dias. Com o tempo, conhecia bem a todos; só de olhar, eu sabia se o paciente estava melhor ou pior. Semiologia que nenhum exame substitui. Se por algum motivo deixasse de cumprimentar alguém, no dia seguinte ele me olhava de cara feia, fingindo-se zangado com a minha imperdoável ausência — a quem mais ele possuía?

Uma dessas pacientes era Dona Georgina. No primeiro dia, estava sentada na beira da cama — o resto ocupado pelas bolsas arrumadas. Esperava o filho, Jorginho, para buscá-la. Toda manhã recolocava as bolsas na cama; toda noite as tirava para dormir. Fez isso por todo o tempo em que fui diretor. Saí, e Jorginho não havia aparecido. Voltei muitos anos depois e vi a cama vazia. Senti o aperto no peito que sempre sentia quando um paciente partia. Perguntei à enfermeira: Jorginho, finalmente, viera buscá-la.

 

Às vezes, o papel do médico é apenas não interferir nessa espera.”

Conheci também Francisco. Recém-nascido, fora deixado na Roda da Casa dos Expostos e confiado à Santa Casa. Cresceu no orfanato, trabalhou nele, ali viveu a vida inteira — sem família, sem posses. Quando envelheceu, foi para o asilo da mesma Santa Casa que o acolhera no início. Cuidei dele por um tempo; depois saí. Voltei vinte e um anos mais tarde e o reencontrei sereno, em paz — sem nada que o mundo chama de riqueza, mas com a serenidade de quem possui a vida e a paz como bens maiores. O abraço que lhe dei foi de admiração, respeito e fraterno amor.

 

Nem sempre cabe ao médico oferecer mais do que presença e respeito diante deste mistério.”

Houve um tempo em que um colega obstetra me encaminhava pacientes com mioma já indicadas para histerectomia, para uma tentativa anterior com fitoterapia. Uma delas — recém-casada, sem condições de pagar nada — tratei apenas com um composto de plantas, que lhe dava sem cobrar. Em quatro meses, o sangramento cessou. Tempos depois, voltou grávida. Nove meses mais tarde, voltou pela última vez: trazia para mim um lindo cristal multicolorido numa das mãos e um filho no colo. Era a sua forma de dizer que o útero que seria retirado havia gerado vida.

 

“Guardo este cristal até hoje. Ele me lembra por que faço o que faço.”

Toda esta trajetória tem um único destino: o paciente, a Pessoa. Maior experiência significa menos excesso — menos exame desnecessário, mais cuidado preventivo, menos medicamentos, menos suplementos. Não mantenho vínculos com laboratórios, empresas alimentares ou qualquer financiador que possa interferir na liberdade da minha prescrição. Não tenho conflito de interesse. Minha lealdade é exclusivamente com a Pessoa que me consulta.

 

Não venho encher o paciente de suplementos. Venho mostrar que os melhores suplementos estão na natureza.”

O sol, o sono, o movimento, a respiração, a hidratação, a alimentação viva e a atividade física regular: estes são os suplementos naturais, e os mais seguros.

Em 2025 desenvolvi a plataforma OSAME S³, sistema de inteligência artificial médica com mais de cinquenta agentes treinados com base nas diretrizes das principais sociedades médicas mundiais — instrumento que utilizo como apoio à avaliação clínica, a serviço do mesmo princípio: o cuidado mais preciso e seguro para o paciente.

A Medicina da Pessoa é o que cinco décadas de prática clínica me ensinaram.

 

Há uma medicina que trata doenças. A Medicina da Pessoa cuida da Pessoa, e visa promover Saúde — em todos os seus 7 Corpos, e em todos os horizontes que ela ainda há de descobrir.”

Medicina da Pessoa

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